Porque devem os Fundos de Pensões começar a ser uma preocupação? Estão as carteiras de ativos preparadas para o que aí se avizinha? Será o excesso de hoje o suficiente para manter o financiamento do seu plano, amanhã?

“Quando uma possibilidade não nos é familiar, nós nem pensamos nisso.” – Nate Silver

O recente comunicado feito pelo Banco Central Europeu (BCE) é de extrema importância para todos os participantes que financiam Fundos de Pensões Portugueses e outros investidores responsáveis por produtos da mesma afinidade. Porquê?

Espere pelo melhor, prepare-se para o pior

A Willis Towers Watson publicou em março deste ano, o Willis Towers Watson Five-Year Capital Market Outlook, entitulado-o como “hope for the best; plan for the worst” - espere pelo melhor; prepare-se para o pior. Com poucas exceções, as nossas expetativas centrais para as rentabilidades dos ativos financeiros nos próximos cinco anos são baixas, voláteis e negativamente enviesadas. Como consequência, temos sugerido a todos os nossos clientes que adotem uma posição cautelosa na consideração do risco da carteira.

Planear para o pior tornou-se essencial desde março de 2016, altura em que o BCE comunicou medidas adicionais ao programa de quatitative easing, com o objetivo de estimular a inflação e o financiamento empresarial. Estas medidas passam pela extensão do programa de compra de obrigações de dívida soberana a obrigações do setor privado (Corporate Sector Purchase Programme). Com início marcado para julho de 2016, o BCE irá participar ativamente no mercado obrigacionista primário e secundário, no que respeita ao sector Investment Grade. O BCE procura uma abordagem neutra ao mercado, através de uma intervenção disciplinada na implementação do programa de compra de obrigações. No entanto, dadas as condições específicas do mercado de obrigações da zona Euro, existe uma significativa possibilidade da ocorrência de distorções estruturais do mercado.

Mais detalhes sobre este tópico são discutidos no Euro Bonds White Paper. Este artigo analisa duas consequências para os investidores, de enorme importância para os fundos de pensões Portugueses:

  1. Deterioração dos níveis de financiamento: Não obstante a heterogeneidade dos fundos de pensões, uma abordagem das responsabilidades de mark-to-market nos planos de Benefício Definido (pressupostos IFRS) implicará provavelmente, um decréscimo nos níveis de financiamento assim como os rácios de cobertura das. Do mesmo modo, os ativos referentes a planos de Contribuição Definida, assim como produtos de seguros sem garantia de rentabilidade, irão também sofrer um impacto de baixas, e mesmo negativas, taxas de desconto (yields) dos investimentos obrigacionistas.
  1. Upside limitado para os gestores de crédito: É pouco provável que investidores com uma estratégia buy-and-hold venham a vender grandes volumes das suas obrigações ao BCE. O excesso de procura no segmento de rating mais elevado, torna esta área pouco atrativa para o investimento ativo. Gestores ativos deverão direcionar a sua atenção para o segmento BBB, onde um acréscimo relativo de valor ainda poderá ser alcançado, no entanto, os mesmos gestores poderão ser forçados a afastarem-se de pequenos emitentes para maiores e mais alavancados emitentes de dívida. No geral, apostar naquelas que virão a ser as obrigações compradas pelo BCE, não é uma habilidade natural reconhecida nos gestores de ativos, fazendo com que esta atividade seja muito pouco compensadora. Os nossos clientes poderão adotar entre uma estratégia de baixo turnover, buy-and-mantain ou uma estratégia “high alpha” levada a termo por um gestor especializado (com posições mais concentradas ou fora do perfil do benchmark).

A Willis Towers Watson disponibiliza de forma rápida e simples, um Health Check da sua carteira de investimentos. Um relatório detalhado da posição atual e riscos financeiros dos seus investimentos - em poucas páginas, um acesso fácil à estratificação do risco da sua carteira de ativos.